20 de June, 2020

Como a “confusão sexual” pode salvar uvas

Na senda de tornarmos a nossa vinha cada vez mais sustentável e menos dependente da utilização de produtos químicos e poluentes, estamos a usar em Janas, pela primeira vez, um método inovador e biológico –...

Na senda de tornarmos a nossa vinha cada vez mais sustentável e menos dependente da utilização de produtos químicos e poluentes, estamos a usar em Janas, pela primeira vez, um método inovador e biológico – o método da confusão sexual contra a traça da uva.

Estamos a usar difusores do tipo “esparguete”, que espalhados pela vinha emitem ondas de feromonas, que têm como objetivo ocultar os verdadeiros, enviados pelas fêmeas para atrair os machos da traça. Confusos com a profusão de hormonas no ar os machos não conseguem encontrar os seus pares para acasalar e não é feita uma tão numerosa renovação das novas gerações.

Manter o equilíbrio de ecossistema

Além de ser eficaz na redução da praga, em alguns casos até mais do que os inseticidas convencionais, este método é melhor para o equilíbrio do ecossistema já que não atinge outros organismos que podem ser favoráveis ao desenvolvimento da vinha, como alguns insetos.

Estando ainda numa fase muito precoce de rebentação, a colocação destes difusores permitem-nos ter uma ação logo nas primeiras traças, as da primeira geração, que eclodiram após a hibernação. Colocar estes difusores cedo é uma das garantias de êxito deste método.

O ciclo de vida das traças

É no início da primavera, quando as temperaturas começam a aumentar que ocorre a emergência dos adultos, iniciando-se logo de seguida o primeiro voo nupcial. É nesta fase que os filamentos de feromonas que espalhámos pela nossa vinha poderá fazer a sua “magia”, confundindo os machos e não permitindo a fecundação das fêmeas.

Dois dias após o acasalamento, as fêmeas iniciam as posturas junto da fonte de alimentação das futuras lagartas (sobre as brácteas, os botões florais, sobre as inflorescências, pâmpanos e folhas). A postura é feita por um período de cerca de seis dias e no final as fêmeas acabam por morrer.

Cerca de dez dias depois, surgem as jovens lagartas que passadas 24 horas começam a perfuração dos botões florais e uma vez lá dentro, alimentam-se e passam por estados larvares que duram até 28 dias. Os estragos na vinha causados pela traça são devidos à sua alimentação e não têm assim uma importância tão grande ao nível da produção total, já que a vinha é bastante tolerante aos ataques causados pela traça sobre as inflorescências.

No entanto, esta primeira geração é decisiva pois irá determinar a variação populacional das gerações que irão eclodir no verão. Daí, ser tão importante esta luta iniciar-se cedo.

O clima e o micro-clima de Sintra

Não podemos deixar de tomar em conta nesta luta também a influência dos factores abióticos (luz, temperatura e humidade) que por seu lado exercem uma influência determinante na dinâmica populacional da praga. As condições óptimas para a actividade e postura da traça-da-uva situam-se nos 22 ºC  e 40 a 70% de humidade relativa.

Logo o conhecimento das condições meteorológicas da nossa zona e do seu micro-clima, bem como uma monitorização da praga com metodologias que permitem acompanhar o seu desenvolvimento permitem-nos ir adaptando e corrigindo os nossos métodos e técnicas por forma a termos a melhor uva, e um vinho de qualidade.

Respeito pelos recursos naturais

Sempre que possível temos usado métodos e produtos alternativos à luta química, para termos um produto agrícola mais ecológico, mais seguro para o consumidor final e com mais respeito pelos recursos naturais da zona maravilhosa onde desenvolvemos o nosso vinho – Janas, Sintra.